domingo, 3 de fevereiro de 2013

Júlio Contente abandona AD Alter - Na Íntegra


Júlio Francisco Aragonez Beja Contente, ex-guardião da baliza do grupo de Alter de Chão, pronunciou-se acerca do seu abandono.
Relembra-se que este atleta já foi campeão pela equipa de Sousel, Associação Soujovem e pela equipa de AD Alter.

Obrigado pela disponibilidade e oportunidade!

A.S. - Decidiste antecipar-te e dar a atual época como concluída, porquê essa decisão? 

Júlio Contente: “Teve a ver muito com duas situações. A primeira foi que inexplicavelmente ao fim da primeira volta, apesar de sempre convocado, não tinha um minuto jogado de forma oficial. O mais curioso é que após assinar para a presente época a uma semana do campeonato começar, a partir dessa altura comecei a notar alguma tentativa de me encostarem autenticamente “na prateleira”. Antes de assinar era uma situação, depois de assinar e assim que a época começou, tudo mudou. A segunda situação foi devido à anarquia completa da equipa dentro de campo e as constantes discussões entre elementos da mesma. Uma equipa que se diz querer ganhar jogos, tem de fazer bem melhor do que discutir uns com os outros jogo após jogo. Isto acaba por não ser um abandono, mas sim porque fui forçado a sair. Era já intolerável o que me estavam a fazer, não podia tolerar mais aquilo.”.

A.S. - Foste o Capitão de equipa, não era suposto seres exemplo de alguma coisa dentro e fora de campo? Quais as razões para essa eleição? 

Júlio Contente: “Sim fui o capitão de equipa e essa foi das coisas que mais me orgulho. Para isso devo muito a duas pessoas que ainda na época passada me fizeram chegar a braçadeira ao braço, são elas Sebastião Passeiro, então treinador e Eduardo Ventura o então seu adjunto, a eles só tenho a agradecer este privilégio que foi terem confiado em mim. Este ano o atual treinador limitou-se a confirmar a braçadeira em minha posse. Agora quando não te sentes útil e achas que a tua presença é nula, então ser capitão não faz sentido. Por isso resolvi abdicar da braçadeira após a 4ª jornada, pedido este que me foi recusado e dito para ter calma. 


A.S. - Calma essa que aguentou mais 3 jornadas, chegaste ao ponto de fazer algum tipo de "ultimato" para simplesmente pedir uma oportunidade para jogar e fazer face à despesa que tiveram aquando a tua inscrição?


Júlio Contente - "Logo após a 4ª jornada fiz ver essa situação. Não estava ali para ser mais um, queria-me sentir útil e ajudar. Era muito grave saber de coisas que se estavam a passar, eu estar ali e sentir que estava a ser empurrado para fora do clube. Fiz ver isso e disse que se a situação não muda-se me transferiria em dezembro para outro clube. Ainda me disseram que seria preciso o clube concordar e para eu fazer o que quisesse. Logo aí disse que mesmo que não autorizassem a minha ida para outro clube que abandonava a equipa. Esta situação é que não se podia arrastar mais. Não era só o fato de não jogar, era também o clima de crispação e de falta de coragem que já tinham para me dirigirem a palavra. Este tema foi tratado, vejam só… Num telefonema que o atual treinador me fez, pois pessoalmente nunca teve a coragem de ser frontal comigo para falar de tal assunto.”.

A.S. - Não é segredo nenhum que tu e o atual treinador antes desta situação tinham uma amizade estreita a nível pessoal. Com esta situação, tal como pode acontecer a outros atletas, as coisas podem separar-se? 

Júlio Contente: “As coisas podem separar-se até certo ponto… Agora quando chegam ao ponto de tu te sentires traído no desporto, como é que na vida real vais voltar a confiar nessa pessoa? Pois, é complicado. Esta época tinha convites de outras equipas, como todos os anos, o que é perfeitamente normal e resolvi ficar, porque não iria virar as costas a um amigo. Mas passados dias de assinar, viraram-me as costas foi a mim.”.
A.S. - Como era os jogos em que apenas aquecias o banco? 

Júlio Contente – “Muito difíceis em que simplesmente nem conseguia dizer nada, não tenho problema nenhum de dizer que foi a pior sensação que tive desde que jogo futsal. Foi terrível, não pelo fato de saber antes de começar o jogo de que iria para o banco, mas sim que se fosse para o banco, saberia que não jogava. Aqui o que está em questão não é o fato de ser suplente num jogo… de não ser convocado, enfim, o que está em questão é que me fizeram sentir um zero dando-me zero minutos. Sei bem qual é o meu valor e o meu valor não é zero minutos ao fim da 1ª volta. Sempre me senti bem fisicamente, cheguei por vezes a ir buscar forças onde não as tinha para provar que estavam errados, mas nunca me deram oportunidades sequer de me defender num jogo, “no meu território”, a baliza. Sabem que se me dessem essa oportunidade, teriam depois de explicar muita coisa. Assim o melhor foi encostarem-me no banco. Graças a Deus sempre fiz parte de plantéis que lutaram por títulos, comigo a jogar e em nenhum precisei de ser treinador-jogador para poder jogar regularmente. Esta época, aqui numa equipa que luta para fugir ao último lugar, eu não tenho um único minuto jogado ao fim da 1ª volta, tudo isto é muito esquisito.”

A.S. - Tendo em conta o que disseste, achas que o treinador-jogador usa a posição que tem no clube para proveito próprio? 

Júlio Contente – “Acho que anteriormente respondi a esta questão.”

A.S. - O que aconteceu no último jogo para que houvesse um "basta"?

Júlio Contente – “Recebíamos o GD Arenense, último jogo da 1ª volta e eu já me tinha mentalizado que era suficiente o fato de terem andado a “brincar” comigo. Se não jogasse neste jogo, iria tomar uma posição. Aconteceu e sem surpresa para mim que mais uma vez nem fui utilizado. Isto depois de na semana anterior ao jogo ter sido o único guarda-redes presente nos treinos semanais e de ter treinado bem. Durante o jogo mantive-me sempre sereno e nunca ninguém me poderá acusar de criar mau ambiente porque nunca deixei transparecer fosse o que fosse. Enquanto vesti a camisola da ADA sempre tentei ser o mais profissional possível. Neste encontro abandonei eu e o sub capitão de equipa, ou seja, os capitães disseram basta após este jogo. Alguma coisa estava mal. Há coisas num jogo que não podes tolerar, estamos ali todos para o mesmo, mas existem alguns que não percebem isso e só olham para o próprio umbigo, depois geram-se discussões desnecessárias durante o jogo que muito destabilizam a equipa. Entretanto durante a semana não me apresentei para treinar, fruto de estar a ponderar bem o que iria fazer, também não fui ao jogo em Nisa da 1ª jornada da 2ª volta porque não queria desestabilizar a equipa e pretendia que estivessem concentrados para tentarem a vitória. Depois a meio da semana comuniquei ao treinador que quereria falar com o grupo. Foi quando dei a cara e disse que já não voltaria a vestir a camisola da ADA, agora era eu que não queria voltar a jogar e punha um ponto final ali na época.”.

A.S. - Para além da visível falta de comunicação da equipa, o que é que falta mais?
Júlio Contente – “A equipa é muito jovem e alguns elementos terão de crescer mais, não a nível físico mas sim a nível mental. Quanto ao resto, desejo-lhes toda a sorte daqui para a frente.”

A.S. - Agora com tua saída quais os teus projetos desportivos?

Júlio Contente – “No que diz respeito ao futsal, por enquanto e por motivos de natureza particular vou ter que fazer uma pausa na prática do mesmo muito brevemente. Pausa esta que já estava programada à algum tempo. Este é o principal motivo porque optei pelo abandono e não acabo a época noutro clube, depois de ter recusado transferir-me em dezembro. Agradeço, mas não poderia ser inscrito para estar disponível em janeiro e fevereiro/março ter de me “ausentar”. Isto era enganar quem não merecia. Espero voltar à entrada do verão ainda mais forte. Enquanto física e psicologicamente tiver forças, continuarei disponível para o futsal. Nunca enganarei uma modalidade que tanto amo, quando vir que de manhã ao levantar-me “o jogo de futsal” já não me fascina e as pernas já cansam, então aí será um ponto final.”.

A.S. - De fora da competição, és torcedor de alguma equipa? Porquê?
Júlio Contente – “Essa é a pergunta mais fácil de responder. Vou tentar ir ver alguns jogos sempre que possa de modo a me manter atualizado a nível de futsal distrital. Não é segredo para ninguém o carinho e admiração que fiquei pelas pessoas de Sousel, por aquela casa, aquele balneário, aquele público, ambiente... enfim, tudo. Ainda hoje tenho lá bastantes amigos e sempre que lá vou, aproveitamos para meter a conversa em dia. Foi uma equipa que me marcou e pela qual, sempre torci pelo melhor, torço e sempre continuarei a torcer. Espero sinceramente que sejam campeões que bem merecem, falo da Associação Soujovem.”.

A.S. - Voltarás a vestir a camisola da ADA?

Júlio Contente: “O futuro a Deus pertence, mas a minha decisão foi tomada após ser bastante ponderada pela minha parte e repito o que já disse. Atualmente não estão reunidas as condições para voltar a vestir a camisola da ADA. Não vou, nem quero partilhar um balneário com uma pessoa que me apunhalou pelas costas e me tratou com indiferença dentro da equipa, logo a curto prazo é impossível isso acontecer.”

A.S. - Queres acrescentar mais alguma coisa? 

Júlio Contente – “Em primeiro lugar agradecer esta oportunidade de esclarecer este meu abandono portal “Futsal em Portalegre” (futsalportalegre.pt.to) e conforme solicitado, aqui me prontifiquei a dizer tudo como foi. Em segundo lugar, queria dizer aqui que não confundo instituições com pessoas e a ADA continua a ter o mesmo significado que tinha para mim. A todos na pessoa do seu presidente António Correia que muito tem feito por aquela casa, desejo-lhes toda a sorte daqui para a frente. Em terceiro lugar e último, dizer que foi a última vez que falei deste assunto e que para mim é caso encerrado. Um bem haja,
Júlio Contente
JC1”

2 comentários:

  1. Gostaria de saber qual foi o motivo de terem eliminado o meu anterior comentário?

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  2. Após várias perguntas a perguntar pela não aprovação dos comentários enviados a este artigo, venho por este meio informar que os mesmos não são aprovados porque o Entrevistado assim o decidiu.

    Mais informações entrar em contato com o mesmo.

    Obrigado
    Andreia Santinhos, Futsal em Portalegre

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