Júlio Francisco Aragonez Beja Contente, ex-guardião da baliza do grupo de Alter de Chão, pronunciou-se acerca do seu abandono.
Relembra-se que este atleta já foi campeão pela equipa de Sousel, Associação Soujovem e pela equipa de AD Alter.
Obrigado pela disponibilidade e oportunidade!
A.S. - Decidiste antecipar-te e dar a
atual época como concluída, porquê essa decisão?
Júlio Contente: “Teve a ver muito com duas situações. A primeira foi que
inexplicavelmente ao fim da primeira volta, apesar de sempre convocado, não
tinha um minuto jogado de forma oficial. O mais curioso é que após assinar para
a presente época a uma semana do campeonato começar, a partir dessa altura
comecei a notar alguma tentativa de me encostarem autenticamente “na
prateleira”. Antes de assinar era uma situação, depois de assinar e assim que a
época começou, tudo mudou. A segunda situação foi devido à anarquia completa da
equipa dentro de campo e as constantes discussões entre elementos da mesma. Uma
equipa que se diz querer ganhar jogos, tem de fazer bem melhor do que discutir
uns com os outros jogo após jogo. Isto acaba por não ser um abandono, mas sim
porque fui forçado a sair. Era já intolerável o que me estavam a fazer, não
podia tolerar mais aquilo.”.
A.S. - Foste o Capitão de equipa, não era
suposto seres exemplo de alguma coisa dentro e fora de campo? Quais as razões
para essa eleição?
Júlio Contente: “Sim fui o capitão de equipa e essa foi das coisas que mais me orgulho.
Para isso devo muito a duas pessoas que ainda na época passada me fizeram
chegar a braçadeira ao braço, são elas Sebastião Passeiro, então treinador e
Eduardo Ventura o então seu adjunto, a eles só tenho a agradecer este
privilégio que foi terem confiado em mim. Este ano o atual treinador limitou-se
a confirmar a braçadeira em minha posse. Agora quando não te sentes útil e
achas que a tua presença é nula, então ser capitão não faz sentido. Por isso
resolvi abdicar da braçadeira após a 4ª jornada, pedido este que me foi
recusado e dito para ter calma.
A.S. - Calma essa que aguentou mais 3 jornadas, chegaste ao ponto de fazer algum
tipo de "ultimato" para simplesmente pedir uma oportunidade para
jogar e fazer face à despesa que tiveram aquando a tua inscrição?
Júlio Contente - "Logo após a 4ª jornada fiz ver essa situação. Não estava ali para ser mais um,
queria-me sentir útil e ajudar. Era muito grave saber de coisas que se estavam
a passar, eu estar ali e sentir que estava a ser empurrado para fora do clube.
Fiz ver isso e disse que se a situação não muda-se me transferiria em dezembro
para outro clube. Ainda me disseram que seria preciso o clube concordar e para
eu fazer o que quisesse. Logo aí disse que mesmo que não autorizassem a minha
ida para outro clube que abandonava a equipa. Esta situação é que não se podia
arrastar mais. Não era só o fato de não jogar, era também o clima de crispação
e de falta de coragem que já tinham para me dirigirem a palavra. Este tema foi
tratado, vejam só… Num telefonema que o atual treinador me fez, pois
pessoalmente nunca teve a coragem de ser frontal comigo para falar de tal
assunto.”.
A.S. - Não é segredo nenhum que tu e o
atual treinador antes desta situação tinham uma amizade estreita a nível
pessoal. Com esta situação, tal como pode acontecer a outros atletas, as coisas
podem separar-se?
Júlio Contente: “As coisas podem
separar-se até certo ponto… Agora quando chegam ao ponto de tu te sentires
traído no desporto, como é que na vida real vais voltar a confiar nessa pessoa?
Pois, é complicado. Esta época tinha convites de outras equipas, como todos os
anos, o que é perfeitamente normal e resolvi ficar, porque não iria virar as
costas a um amigo. Mas passados dias de assinar, viraram-me as costas foi a
mim.”.
A.S. -
Como era os jogos em que apenas aquecias o banco?
Júlio Contente – “Muito difíceis em que
simplesmente nem conseguia dizer nada, não tenho problema nenhum de dizer que
foi a pior sensação que tive desde que jogo futsal. Foi terrível, não pelo fato
de saber antes de começar o jogo de que iria para o banco, mas sim que se fosse
para o banco, saberia que não jogava. Aqui o que está em questão não é o fato
de ser suplente num jogo… de não ser convocado, enfim, o que está em questão é
que me fizeram sentir um zero dando-me zero minutos. Sei bem qual é o meu valor
e o meu valor não é zero minutos ao fim da 1ª volta. Sempre me senti bem
fisicamente, cheguei por vezes a ir buscar forças onde não as tinha para provar
que estavam errados, mas nunca me deram oportunidades sequer de me defender num
jogo, “no meu território”, a baliza. Sabem que se me dessem essa oportunidade,
teriam depois de explicar muita coisa. Assim o melhor foi encostarem-me no
banco. Graças a Deus sempre fiz parte de plantéis que lutaram por títulos, comigo
a jogar e em nenhum precisei de ser treinador-jogador para poder jogar
regularmente. Esta época, aqui numa equipa que luta para fugir ao último lugar,
eu não tenho um único minuto jogado ao fim da 1ª volta, tudo isto é muito
esquisito.”
A.S. - Tendo em conta o que disseste, achas que o treinador-jogador usa a
posição que tem no clube para proveito próprio?
Júlio Contente – “Acho que anteriormente respondi a esta
questão.”
A.S. - O que aconteceu no último jogo para
que houvesse um "basta"?
Júlio Contente – “Recebíamos o GD
Arenense, último jogo da 1ª volta e eu já me tinha mentalizado que era
suficiente o fato de terem andado a “brincar” comigo. Se não jogasse neste
jogo, iria tomar uma posição. Aconteceu e sem surpresa para mim que mais uma
vez nem fui utilizado. Isto depois de na semana anterior ao jogo ter sido o
único guarda-redes presente nos treinos semanais e de ter treinado bem. Durante
o jogo mantive-me sempre sereno e nunca ninguém me poderá acusar de criar mau
ambiente porque nunca deixei transparecer fosse o que fosse. Enquanto vesti a
camisola da ADA sempre tentei ser o mais profissional possível. Neste encontro
abandonei eu e o sub capitão de equipa, ou seja, os capitães disseram basta
após este jogo. Alguma coisa estava mal. Há coisas num jogo que não podes
tolerar, estamos ali todos para o mesmo, mas existem alguns que não percebem
isso e só olham para o próprio umbigo, depois geram-se discussões
desnecessárias durante o jogo que muito destabilizam a equipa. Entretanto
durante a semana não me apresentei para treinar, fruto de estar a ponderar bem
o que iria fazer, também não fui ao jogo em Nisa da 1ª jornada da 2ª volta
porque não queria desestabilizar a equipa e pretendia que estivessem
concentrados para tentarem a vitória. Depois a meio da semana comuniquei ao
treinador que quereria falar com o grupo. Foi quando dei a cara e disse que já
não voltaria a vestir a camisola da ADA, agora era eu que não queria voltar a
jogar e punha um ponto final ali na época.”.
A.S. - Para além da visível falta de
comunicação da equipa, o que é que falta mais?
Júlio Contente – “A equipa é muito jovem e
alguns elementos terão de crescer mais, não a nível físico mas sim a nível
mental. Quanto ao resto, desejo-lhes toda a sorte daqui para a frente.”
A.S. - Agora com tua saída quais os teus
projetos desportivos?
Júlio Contente – “No que diz respeito ao futsal, por enquanto
e por motivos de natureza particular vou ter que fazer uma pausa na prática do
mesmo muito brevemente. Pausa esta que já estava programada à algum tempo. Este
é o principal motivo porque optei pelo abandono e não acabo a época noutro
clube, depois de ter recusado transferir-me em dezembro. Agradeço, mas não
poderia ser inscrito para estar disponível em janeiro e fevereiro/março ter de
me “ausentar”. Isto era enganar quem não merecia. Espero voltar à entrada do
verão ainda mais forte. Enquanto física e psicologicamente tiver forças,
continuarei disponível para o futsal. Nunca enganarei uma modalidade que tanto
amo, quando vir que de manhã ao levantar-me “o jogo de futsal” já não me
fascina e as pernas já cansam, então aí será um ponto final.”.
A.S. - De fora da competição, és torcedor
de alguma equipa? Porquê?
Júlio
Contente – “Essa
é a pergunta mais fácil de responder. Vou tentar ir ver alguns jogos sempre que
possa de modo a me manter atualizado a nível de futsal distrital. Não é segredo
para ninguém o carinho e admiração que fiquei pelas pessoas de Sousel, por
aquela casa, aquele balneário, aquele público, ambiente... enfim, tudo. Ainda
hoje tenho lá bastantes amigos e sempre que lá vou, aproveitamos para meter a
conversa em dia. Foi uma equipa que me marcou e pela qual, sempre torci pelo
melhor, torço e sempre continuarei a torcer. Espero sinceramente que sejam
campeões que bem merecem, falo da Associação Soujovem.”.
A.S. - Voltarás a vestir a camisola da
ADA?
Júlio Contente: “O futuro a Deus pertence, mas a minha
decisão foi tomada após ser bastante ponderada pela minha parte e repito o que
já disse. Atualmente não estão reunidas as condições para voltar a vestir a
camisola da ADA. Não vou, nem quero partilhar um balneário com uma pessoa que
me apunhalou pelas costas e me tratou com indiferença dentro da equipa, logo a
curto prazo é impossível isso acontecer.”
A.S. - Queres acrescentar mais alguma
coisa?
Júlio Contente – “Em primeiro lugar agradecer esta
oportunidade de esclarecer este meu abandono portal “Futsal em Portalegre” (futsalportalegre.pt.to)
e conforme solicitado, aqui me prontifiquei a dizer tudo como foi. Em segundo
lugar, queria dizer aqui que não confundo instituições com pessoas e a ADA
continua a ter o mesmo significado que tinha para mim. A todos na pessoa do seu
presidente António Correia que muito tem feito por aquela casa, desejo-lhes
toda a sorte daqui para a frente. Em
terceiro lugar e último, dizer que foi a última vez que falei deste assunto e
que para mim é caso encerrado. Um bem haja,
Júlio Contente
JC1”
Belhó volta a golear e a ver o título mais perto